quinta-feira, 23 de junho de 2011

Anos oitenta - Alguns resquícios



Seu vestido vermelho brilhante com um decote generoso oferecia uma panorâmica no mínimo curiosa. Talvez uma planície árida e pedregosa. Imaginei-a nua, visualizei sua tetas murchas com os bicos apontando para os pés. Sacudi a cabeça e olhei para o céu querendo apagar a estúpida imaginação.
-Tens fogo? Me perguntou.
-Não, eu não fumo.
O cigarro tem isso de bom, apesar do câncer, ele sociabiliza pessoas. Meu ônibus chegou eu entrei e sentei num banco ao lado da janela, ela ainda estava ali no abrigo, abordando outro cara. O carro arrancou, olhei para traz e vi a silhueta do enorme estádio da Beira Rio, agora emoldurando a franzina e singular figura de mulher.  Foi a última vez que vi em pessoa “Terezinha Morango”

A moça esqueceu do blazer

segunda-feira, 18 de abril de 2011

CURVAS
Gosto de curvas.
Linhas retas também gosto, mas só para ganhar velocidade e fazer numa curva repentina.
O lado de fora de uma curva é sensual, o lado de dentro é aconchegante.
O toque aveludado da curva da teta ou bunda feminina.
As curvas ásperas das pedras.
A curva da bola, chutada.
A alegria de criança na curva do balanço.
 Algumas curvas não curto muito:
Pra dar um tapa, a mão faz uma curva.
A que completa 360 graus, porque se torna um ciclo vicioso, além de me deixar tonto, fica uma chatice.
E num adeus, a pequena curva da mão num aceno, não tem a menor graça.
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